Bolsa avança com petróleo; dólar sobe à espera de dados de emprego nos EUA

EULINA OLIVEIRA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – As Bolsas globais sobem nesta quarta-feira (3), após as fortes quedas da véspera, na esteira da recuperação dos preços do petróleo. A commodity avança após dados mostrarem queda nos estoques nos Estados Unidos na semana passada.
O dólar também avança, com as expectativas de que os dados oficiais sobre o mercado de trabalho americano em julho, a serem divulgados na sexta-feira, virão fortes. Dependendo dos números, as apostas de alta dos juros nos Estados Unidos ainda neste ano podem subir.
O mercado doméstico segue o cenário internacional. Analistas ponderam, porém, que há um certo desconforto depois que o governo Temer desistiu de impor um novo limite para gastos com pessoal nos Estados na renegociação das dívidas estaduais.
Por outro lado, a possível aceleração do julgamento da presidente afastada Dilma Rousseff no processo de impeachment no Senado é vista como positiva pelo mercado.
BOLSA
O Ibovespa subia há pouco 0,68%, aos 56.542 pontos, após recuar nas duas sessões exteriores.
As ações da Petrobras subiam 2,20%, a R$ 11,61 (PN), e 1,77%, a R$ 13,20 (ON), ajudadas pela alta do petróleo.
Depois de recuar nas cinco sessões anteriores, o petróleo Brent, negociado em Londres,. subia 1,56%, a US$ 42,45 barril; o petróleo tipo WTI, negociado em Nova York, avança 1,90%, a US$ 40,26 o barril.
Segundo dados do Instituto Americano de Petróleo (API, na sigla em inglês), os estoques do petróleo nos Estados Unidos caíram na última semana.
Os papéis da Vale ganhavam 2,79%, a R$ 15,07, e 1,83%, a R$ 18,32 (ON).
No setor financeiro, Itaú Unibanco PN subia 1,62%; Bradesco PN, +1,28%; Bradesco ON, +0,51%; Banco do Brasil ON, +1,93%; Santander unit, -0,24%; e BM&FBovespa ON, -0,87%.
Os papéis PNA da Suzano Papel e Celulose avançavam 2,32%, a R$ 10,12. A companhia viu o lucro líquido do segundo trimestre mais que dobrar em relação a um ano antes, para R$ 954 milhões, impulsionado por variação cambial, que também ajudou a companhia a cortar a projeção de investimento deste ano em 12,5%.
CÂMBIO E JUROS
O dólar à vista subia há pouco 0,09%, a R$ 3,265, enquanto o dólar comercial ganhava 0,93%, a R$ 3,268.
A moeda americana se fortalece globalmente, com a expectativa de que os dados oficiais de emprego de julho nos Estados Unidos, o chamado “payroll” virão fortes. A percepção é reforçada depois da divulgação dos dados de emprego da ADP.
Os empregadores no setor privado dos Estados Unidos abriram 179 mil vagas em julho, acima das expectativas dos economistas, mostrou o Relatório Nacional de Emprego da ADP nesta quarta-feira.
Economistas consultados pela Reuters previam que haveria ganho de 170 mil postos de trabalho, com estimativas que variavam de 140 mil a 190 mil novos empregos.
O dado da ADP é considerado uma prévia do “payroll”.
Além disso, o Banco Central leiloou pela manhã mais 10.000 contratos de swap cambial reverso, equivalente à compra futura de dólares, no montante de US$ 500 milhões.
No mercado de juros futuros, o contrato de DI para janeiro de 2017 subia de 13,980% para 13,985%; o contrato de DI para janeiro de 2018 avançava de 12,820% para 12,840%; o DI para janeiro de 2021 passava de 12,050% para 12,110%.
Segundo analistas, as taxas refletem as preocupações em relação ao sucesso do ajuste fiscal prometido pelo governo Temer.
O CDS (credit default swap) brasileiro de cinco anos, espécie de seguro contra calote e indicador de percepção de risco, no entanto, caía 0,64%, aos 290,621 pontos.
EXTERIOR
Na Bolsa de Nova York, o índice Dow Jones ganhava 0,12%; o S&P 500, +0,10%; e o Nasdaq, +0,08%.
Na Europa, a Bolsa de Londres perdia 0,05%; Paris, -0,19%; Frankfurt, +0,28%; Madri, estável; e Milão, +0,37%. O setor bancário europeu se recupera das perdas da véspera, mas a queda das ações do setor automotivo pesa sobre as Bolsas da região.
Na Ásia, as Bolsas chinesas tiveram leve alta, impulsionadas pela expectativa de reformas em estatais. O restante da região recuou.
O índice Nikkei da Bolsa de Tóquio perdeu 1,88%, ainda reagindo ao pacote de estímulos do governo japonês abaixo das expectativas dos investidores, e o iene se fortalece mais uma vez frente ao dólar.