Ouro, Robson Conceição é voluntário em projeto social de Salvador

JOSÉ MARQUES
BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) – Primeiro brasileiro a ganhar uma medalha de ouro no boxe, o peso ligeiro (até 60 kg) Robson Conceição, 27, é voluntário em um projeto que ensina o esporte para jovens e adultos da comunidade de Boa Vista de São Caetano, na periferia de Salvador, onde nasceu.
O espaço onde as aulas acontecem foi cedido pela Base Comunitária de Segurança (espécie de UPP da Bahia) da região e é mantido pela associação de moradores. Cerca de 100 pessoas aprendem boxe no local, de crianças a senhoras de idade.
Quem coordena tudo é o cobrador de ônibus Edvaldo Silva, o Alemão, 49, que se considera um dos incentivadores da carreira de Robson. Ele chegou a emprestar a bicicleta e o passe de ônibus para o menino treinar.
Quando não conseguia nada disso, Robson ia correndo para a academia. Hoje em dia, entre um treino e outro, ele vai ao projeto de Alemão para ensinar técnicas de boxe.
Também ajuda na compra de material esportivo, como luvas e protetores de cabeça.
“Robson é atleta, não é professor. Mas ele volta das viagens aos outros países e nos ensina coisas novas que aprendeu. Por exemplo, como puxar um golpe para entrar no outro ou puxar com uma perna para trás”, conta Alemão.
O cobrador sonha em colocar o filho, Lucas Martins Conceição, 16, no mesmo nível de Robson. Lucas é campeão brasileiro regional e vê o atleta olímpico como inspiração.
Robson vive entre Salvador, com a mulher e a filha, e São Paulo, onde fica o centro de treinamento da seleção brasileira de boxe. Ele ainda mora em São Caetano, bairro vizinho a Boa Vista de São Caetano, na periferia da cidade.
“Já tem mais de um mês que ele não vem aqui, mas quando está dá um pulo toda hora aqui no bairro, onde a família está”, diz Alemão. “Esse ouro vai ser de Boa Vista”.
Esta foi a terceira Olimpíada que participa, mas em Pequim (2008) e Londres (2012) perdeu na primeira luta.
Além de boxe, a Base Comunitária dá apoio em aulas de judô, caratê e jiu-jitsu. Parte do material é cedido por órgãos do governo baiano.
MENINO DA AVÓ
Foi a avó de Robson, Neusa Donato, 63, quem matriculou o neto na escolinha de boxe aos 13 anos. Ela diz que estava meio reticente já que o menino tinha fama de brigão e se inspirava no tio, que costumava arranjar confusões no Carnaval de Salvador.
“Mas ele insistiu tanto que eu tive que matricular. Aí ele pegou gosto e, mesmo quando a escolinha fechou, ele foi para a Liberdade (bairro de Salvador) treinar em outra”, diz.
Nessa época, Robson também ajudava a avó a vender verduras em uma barraca de rua que ela mantinha no bairro.
Depois de passar pelas duas academias, foi acolhido pelo treinador Luiz Dórea, da Champions, o principal fornecedor de atletas de boxe no país.