Mercados reagem a BC dos EUA e Coreia do Norte; dólar sobe 2% e Bolsa cai 2%

EULINA OLIVEIRA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O tom da sexta-feira (9) é de cautela nos mercados mundiais, com a percepção de que os juros americanos podem subir mais cedo do que o esperado. Além disso, a Coreia do Norte anunciou a realização de seu quinto e maior teste nuclear, gerando preocupação na comunidade internacional.
A moeda americana sobe mais de 2% frente ao real, para a casa dos R$ 3,26, e o Ibovespa recua mais de 2%.
O dólar se fortalece mundialmente depois que o presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) de Boston, Eric Rosengren, alertou que esperar muito para aumentar os juros americanos poderia levar ao superaquecimento da economia do país e ameaçar a estabilidade financeira.
“O que o Rosengren falou vai contra o que o próprio Fed vem indicando ultimamente, de que serão necessários mais dados antes de qualquer decisão sobre uma alta dos juros”, comenta um operador do mercado financeiro. “Mas basta qualquer declaração para mexer com o mercado, até porque as Bolsas estão muito esticadas, ou seja, subiram muito, e têm gordura para queimar”, acrescenta.
Até então, a maioria das apostas se concentrava em uma elevação dos juros americanos em dezembro, mas o alerta de Rosengren aumenta a possibilidade de uma alta já em setembro.
Os investidores ainda repercutem negativamente o fato de o BCE (Banco Central Europeu) não ter anunciado nesta quinta-feira (8) novas medidas de estímulo monetário.
CÂMBIO E JUROS
A moeda americana à vista subia há pouco 2,14%, a R$ 3,267, enquanto o dólar comercial ganhava 1,74%, a R$ 3,268. Contribuía para a desvalorização do real a queda do petróleo no mercado internacional, após a forte alta da véspera.
Como tem ocorrido diariamente, o Banco Central leiloou pela manhã 10 mil contratos de swap cambial reverso, equivalentes à compra futura de dólares, no montante de US$ 500 milhões.
Apesar da desaceleração da inflação oficial (IPCA) em agosto, o mercado de juros futuros opera em alta, refletindo a alta do dólar e o cenário externo negativo: o contrato de DI para janeiro de 2017 subia de 13,950% para 13,970%; o contrato de DI para janeiro de 2018 avançava de 12,460% para 12,560%; e o DI para janeiro de 2021 passava de 11,880% para 12,040%.
O CDS (credit default swap) de cinco anos brasileiro, espécie de seguro contra calote e indicador de percepção de risco, ganhava 3,10%, aos 253,113 pontos.
BOLSAS
O Ibovespa perdia há pouco 2,27%, aos 58.862 pontos, seguindo o comportamento das demais Bolsas no mundo.
As ações da Petrobras perdiam 2,32%, a R$ 13,89 (PN), e 2,56%, a R$ 15,97 (ON). Os papéis da Vale caíam 2,49%, a R$ 14,83 (PNA) e 2,97%, a R$ 17,26 (ON).
No setor financeiro, Itaú Unibanco PN recuava 2,31%; Bradesco PN, -2,82%; Bradesco ON, -2,87%; Banco do Brasil ON, -2,81%; Santander unit, -1,47%; e BM&FBovespa ON, -3,49%.
Em Nova York, o índice S&P 500 perdia 1,01%; o Dow Jones, -0,77%; e o Nasdaq, -0,82%.
Na Europa, a Bolsa de Londres caía 1,01%; Paris, -0,88%; Frankfurt, -0,70%. Madri, -0,69; e Milão, -1,05%.
Na China, o índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, teve queda de 0,64%. O índice de Xangai caiu 0,55%. Em Tóquio, o índice Nikkei avançou 0,04%, a 16.966 pontos.

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