OMC reduz para 1,7% projeção de avanço do comércio mundial em 2016

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O volume do comércio global deve crescer apenas 1,7% neste ano, a primeira vez em 15 anos que o comércio internacional avança abaixo da economia mundial, afirmou nesta terça-feira (27) a OMC (Organização Mundial do Comércio).
A projeção, bem abaixo da estimativa anterior da OMC de 2,8% feita em abril, reflete uma desaceleração na China e no Brasil e também a redução nas importações dos Estados Unidos.
A desaceleração “se deve a uma queda mais forte que o previsto do volume do comércio de mercadorias no primeiro trimestre (-1,1% na comparação com o trimestre anterior, estabelecido pela média de exportações e importações corrigida das variações sazonais) e a uma recuperação mais frágil do que o previsto no segundo trimestre (+0,3%)”, afirma a OMC em comunicado.
A OMC também estima crescimento mais lento do comércio em 2017 do que a projeção anterior, com um aumento de 1,8% a 3,1%, em vez dos 3,6% previstos em abril.
“A impressionante desaceleração do comércio é grave e deve servir de sinal de alerta”, afirmou o diretor-geral da OMC, o brasileiro Roberto Azevêdo.
“É particularmente inquietante dada a hostilidade crescente à globalização”, completou.
A OMC antecipa que o PIB real no mundo deve aumentar 2,2%.
“Se a projeção revisada for confirmada, 2016 será o ano em que, pela primeira vez em 15 anos, a razão comércio/crescimento do PIB mundial ficará abaixo de 1 por 1”, destaca a OMC.
Vários sinais apontam para uma recuperação do comércio mundial no segundo semestre, como a expansão do tráfego dos portos de contêineres ou o aumento dos encargos para a exportação nos Estados Unidos.
“Mas várias incertezas pesam nas perspectivas para o restante do ano e o próximo”, adverte a organização.
“Como por exemplo a volatilidade financeira provocada pelas mudanças que afetam a política monetária dos países desenvolvidos, a possibilidade de que os discursos contra o comércio se reflitam cada vez mais nas políticas comerciais e os efeitos potenciais da votação do ‘brexit’ no Reino Unido, afirma a OMC.