Obra em sítio de Atibaia durou um mês, diz a procuradores delator da Odebrecht

ATIBAIA, SP - 04.03.2016: OPERAÇÃO-LAVA JATO - Vista aérea do sítio frequentado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e familiares em Atibaia, no interior de São Paulo, nesta sexta-feira (4), onde agentes da PF cumprem mandados de busca e apreensão durante operação Aletheia, deflagrada hoje pela Polícia Federal como 24ª etapa da Operação Lava Jato. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

O ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht Alexandrino Alencar disse, em depoimento a procuradores da força-tarefa da Lava Jato, que a empreiteira baiana fez em um mês as obras de reforma na casa e no lago do sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), frequentado pela família do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo o ex-executivo, as obras tocadas pela Odebrecht começaram no dia 15 de dezembro de 2010 e terminaram no dia 15 de janeiro seguinte. O sítio formalmente pertence a Fernando Bittar e Jonas Suassuna, sócios de Fábio Luiz Lula da Silva, filho de Lula.

Alencar disse na delação que a Odebrecht começou a reformar o sítio a pedido da ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva, morta no dia 3 de fevereiro deste ano, vítima de um AVC. Ela teria abordado Alencar durante a comemoração do aniversário de Lula, em outubro de 2010, num evento no Centro Cultural do Banco do Brasil, em Brasília.

Marisa teria pedido a ajuda do delator porque temia que as obras no sítio de Atibaia não terminassem antes do fim do ano, quando Lula sairia da Presidência. Até aquele momento as reformas estavam sendo tocadas por uma equipe contratada pelo pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente.

Alencar então resolveu o caso. A Odebrecht mandou dezenas de operários trabalhando dia e noite para fazer a obra a toque de caixa. Foram feitas reformas na casa, a construção de novos cômodos e obras no lago. O custo da obra passou de R$ 500 mil, tudo pago pela Odebrecht. Assim que a obra feita pela Odebrecht foi entregue, em 15 de janeiro de 2011, a OAS entrou para fazer benfeitorias na cozinha do sítio.

Advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, declarou que “após a oitiva de 73 testemunhas no âmbito da Operação Lava Jato, ao longo de 24 audiências, não há qualquer afirmação que possa vincular o ex-presidente à prática de ato ilícito”. A Odebrecht, em nota, disse que “não se manifesta sobre o teor de eventuais depoimentos de pessoas físicas, mas reafirma seu compromisso de colaborar com a Justiça”.