Protestos na Cisjordânia e na faixa de Gaza têm dezenas de feridos

Pelo menos um manifestante palestino foi morto pelas forças israelenses nesta sexta-feira (8) durante o “dia de fúria” convocado pelo grupo muçulmano Hamas contra a decisão dos Estados Unidos de reconhecer Jerusalém como capital de Israel.
Segundo o Ministério de Saúde palestino, o homem foi atingido por tiros disparados por soldados israelenses próximo a fronteira na faixa de Gaza.
Israel confirmou que os militares abriram fogo contra dois manifestantes após um grupo começar a queimar pneus e jogar pedras nos soldados. A identidade do morto não foi divulgada.
Os protestos desta sexta (8) começaram de maneira pacífica tanto na faixa de Gaza quanto em cidades da Cisjordânia, mas logo acabaram em violência.
Em Jerusalém Oriental, que os palestinos reivindicam como capital de seu futuro Estado, milhares deixaram as mesquitas após as orações sob gritos de “Jerusalém é nossa, Jerusalém é nossa capital” e “não precisamos de palavras vazias, precisamos de pedras e Kalashnikovs”.
Em Belém e em Ramallah, na Cisjordânia, houve confronto entre manifestantes, armados com pedras, e as forças israelenses.
A cena se repetiu também na faixa de Gaza, onde a fumaça de pneus queimados tomou conta das ruas, repetindo as cenas vistas na quinta-feira, quando os protestos terminaram com 31 feridos.
Segundo o Crescente Vermelho -versão da Cruz Vermelha nos países muçulmanos-, pelo menos 13 pessoas se machucaram com fogo e outras 47 foram feridas com balas de borracha nesta sexta. Outras seis pessoas foram presas.
Na quinta, o Hamas prometeu que a sexta seria “um dia de fúria” contra Estados Unidos e Israel e convocou uma nova intifada (uma rebelião palestina).
“Devemos trabalhar para lançar uma intifada diante do inimigo sionista”, declarou o líder do Hamas, Ismail Haniyeh, em discurso na faixa de Gaza, território dominado pela facção radical.
Israel e EUA consideram o Hamas, que lutou três guerras contra Israel desde 2007, uma organização terrorista. A facção não reconhece o direito de Israel de existir e é responsável por uma série de atentados contra israelenses.
Nos últimos anos, porém, o Hamas se distanciou da tática e buscou a via política, piorando um cisma com a Autoridade Nacional Palestina do presidente Mahmoud Abbas, sediada na Cisjordânia.

TRUMP
As cenas de quinta e sexta aumentaram o temor de que a decisão americana crie uma nova onda de violência na região.
Os palestinos reclamam da decisão de Donald Trump anunciada na quarta (6), que reconheceu Jerusalém como capital israelense e confirmou a transferência da embaixada americana para a cidade nos próximos anos.
A medida foi recebida com críticas pela comunidade internacional e foi alvo de de protestos em diversos países muçulmanos.
Nesta sexta (8), ocorreram manifestações pacíficas contra os Estados Unidos e Israel também no Afeganistão, no Paquistão, no Irã, no Egito, e em Bangladesh.

(Folhapress)
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