Menino de 3 anos é 15º morto em deslizamento ocorrido em Niterói

Deslizamento de enconta no Morro da Boa Esperança. Vítimas foram soterradas quando uma rocha se partiu, levando junto casas, árvores e muita lama, na madrugada de sábado (10).Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil

 

Subiu para 15 o número de mortos no deslizamento de terra e pedras ocorrido na madrugada de sábado (10), em Niterói, região metropolitana do Rio. Onze pessoas feridas foram resgatadas, mas Arthur Caetano Carvalho, de 3 anos, que estava internado em estado gravíssimo, morreu neste domingo, 11, informou a Secretaria de Estado de Saúde.

Ainda segundo a secretaria, Artur apresentou “piora de seu quadro clínico e consequente parada cardíaca, com múltipla falência dos órgãos”. O garoto foi atingido pelo desabamento de sua casa. Sua irmã, Nicole, de 10 meses, foi resgatada morta.

Na tarde de domingo, o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT), prometeu que as 22 famílias atingidas pelo deslizamento receberão aluguel social e terão prioridade na entrega de casas populares que serão inauguradas em 20 de dezembro.

O prefeito decretou luto oficial de três dias e prometeu atualizar as informações sobre risco de deslizamento nas favelas da cidade, mas voltou a afirmar que o Morro da Boa Esperança, onde houve o deslizamento, não apresentava risco elevado. Ainda no sábado, relatos de moradores apontaram que a Defesa Civil municipal já havia interditado casas na favela.

Segundo Neves, técnicos da prefeitura apontaram o deslizamento da madrugada de sábado como “uma situação realmente muito imprevisível”. As condições geológicas do local não demandavam obras de contenção de encosta. “Tínhamos um maciço, num lugar bem no alto da comunidade. Uma grande montanha de rocha coberta por vegetação, por mata. O que houve foi o deslocamento de um enorme maciço, de algumas milhares de toneladas nessas oito casas”, afirmou o prefeito, em entrevista coletiva.

Segundo Neves, o Morro da Boa Esperança não entrou no programa de instalação de sirenes, feito em 30 favelas, justamente porque não havia sinalização de perigo elevado. O sistema foi adotado após a tragédia no Morro do Bumba, em 2010, quando um deslizamento provocado por fortes chuvas deixou 48 mortos.

“Nenhum órgão das três esferas de governo havia identificado essa comunidade tecnicamente como área de alto risco. Por isso, não tinha nem obra de contenção de encostas para ser feita.”

 

 

Foto:Tânia Rêgo ABr