Esquerda acumula derrotas no 2º turno e PT fica sem prefeitos nas capitais

Marcelo Camargo/ABr

Os partidos de esquerda acumularam derrotas significativas no segundo turno das eleições municipais. O PT não elegeu prefeito na capital pela primeira vez na história. O candidato do PSOL em São Paulo, Guilherme Boulos, sofreu um grande revés do que as pesquisas para as intenções de voto projetadas. Apenas o PDT, do candidato à presidência Ciro Gomes, e o PSB se saíram bem com os resultados deste domingo (29).

O PT tinha grandes esperanças com o ex-prefeito João Coser, em Vitória, e com a deputada federal Marília Arraes, em Recife. Nenhum deles teve sucesso nas urnas. Coser foi derrotado pelo bolsonarista Lorenzo Pazolini (republicanos) por 58,50% a 41,40%. Marília perdeu para o primo João Campos, do PSB, outro partido identificado com a esquerda. Campos teve 56,01% dos votos, contra 43,99% do PT. O PT fez uma força-tarefa para eleger Marília, com participação direta do ex-presidente Lula na campanha, enquanto Campos obteve apoio de partidos de centro-direita no segundo turno.

O ex-líder do movimento dos sem-teto Guilherme Boulos, a grande surpresa desta eleição, ficou muito aquém dos resultados projetados pelas pesquisas dos institutos na véspera da eleição. Ele teve 40,55% dos votos, contra 59,45% do tucano Bruno Covas. As projeções indicavam que havia uma margem de cerca de dez pontos percentuais entre os candidatos antes da eleição.

Manuela D’Ávila (PCdoB), que foi candidata a vice-presidente na chapa do PT Fernando Haddad em 2018, foi derrotada em Porto Alegre por Sebastião Melo (MDB). Ele tinha 54,32% dos votos, contra 45,69% dos comunistas. O PCdoB também sofreu importante derrota em São Luís, onde o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), apostou em Duarte Júnior (republicano). Ele teve 44,47% dos votos, contra 55,53% de Eduardo Braide (Podemos).

Em nível nacional, o PT está mais alinhado com o PCdoB e o PSOL. Ironicamente, os melhores resultados para a esquerda vieram de partidos que não pretendem se aliar à sigla do ex-presidente Lula em 2022. O PDT elegeu dois prefeitos nas capitais. A legenda deu a Edvaldo 57,86% dos votos, derrotando a Delegada Danielle (Cidadania), que teve 42,14%. Conquistou também a prefeitura de Fortaleza, reduto eleitoral de Ciro Gomes, com o deputado estadual Sarto vencendo o capitão bolsonarista Wagner por 51,68% a 48,32%.

O PSB, que é aliado do PDT em âmbito nacional, também venceu em duas capitais. Além de Campos, eleito em Recife, o partido venceu em Maceió, onde venceu o candidato apoiado pelo clã político do senador Renan Calheiros (MDB). O deputado federal João Henrique Caldas, pelo JHC, obteve 58,40% dos votos, contra 41,60% de Alfredo Gaspar de Mendonça (MDB). O PSB, porém, perdeu a cidade de Rio Branco, onde o candidato à reeleição, Socorro Neri, foi derrotado por Tião Bocalom (PP) por 62,91% a 37,09%.

O PSOL alcançou resultado expressivo em Belém. O partido elegeu Edmilson Rodrigues para o cargo, superando o delegado federal Eguchi em 51,76% para 48,24%.