Uso de carros por aplicativo cresce entre as classes C/D durante a pandemia

A pandemia mexeu diretamente na forma como as pessoas se movem pelas cidades. Para as classes C/D, porém, algumas ações foram reforçadas na luta pela preservação da saúde. Isso porque muitos não tiveram o privilégio de contar com o home office. Dessa forma, os carros por aplicativo se integraram ainda mais ao ecossistema multimodal, ajudando assim a combater as aglomerações nos demais meios de transportes.

Números comprovam a aceleração do uso do transporte por app durante essa fase. Segundo pesquisa Datafolha a pedido da 99, 31% das pessoas da classe C começaram a usar aplicativos de transporte por conta da pandemia. Para 40% dos entrevistados, os novos hábitos de higiene e os cuidados com a saúde foram os principais motivos.

O levantamento, portanto, comprovou como os carros por aplicativo se tornaram essenciais na integração do chamado ecossistema multimodal. Nesse caso, o conjunto das ligações que formam a mobilidade urbana no transporte, como carros, bicicletas, trens e ônibus, uns se ligando aos outros, formando uma rede que atenda bem ao usuário

Democratização do transporte

Os dados mostraram como essa integração é eficaz em deixar a mobilidade urbana mais equilibrada e democrática. Com custo acessível e segurança, a 99 se firmou ainda mais nesse sentido. Atualmente, a empresa está presente em 1.600 cidades no Brasil, com mais 20 milhões de passageiros cadastrados em sua plataforma.

Nas periferias, os dados reforçam a eficiência dessa integração. De acordo com a pesquisa Datafolha, na comparação entre fevereiro deste ano e o mesmo mês em 2020, houve aumento de 18% na quantidade de corridas até terminais de ônibus, estações de trem e metrôs na cidade de São Paulo.

Os números mostram, por outro lado, que as classes A e B, que puderam fazer home office, usaram menos o serviço. A queda no número de corridas para os locais considerados mais ricos caiu 32% na mesma comparação.
Aliás, dos 10 pontos com mais concentração de viagens de motoristas parceiros da 99 que começam em locais mais pobres da Capital, sete são a partir de estações de metrô ou trem. Na outra ponta, entre as regiões de maior renda, essa proporção cai para 20%.

A pesquisa, também, mostrou outros dados que reforçam a presença dos carros de aplicativo na vida da classe C De acordo com o levantamento, os motivos principais foram: cuidar da saúde (40%), ir ao mercado (35%) e seguir para o trabalho (21%).

Dois em cada 10 entrevistados afirmaram que deixaram de fazer algo para utilizar carro por aplicativo. Segundo eles, 75% vão aumentar ou manter a frequência de uso deste meio de transporte.

Mulheres

O Datafolha entrevistou 1.542 brasileiros em seis capitais e identificou que as passageiras estão mais presentes na Classe C (60%), na comparação com o perfil A/B. São as mulheres, aliás, que mais sofrem com assédios nas ruas. Nesse ponto, os carros por aplicativo também se transformaram em uma ferramenta importante.

Em depoimento ao documentário “A mulher, a mobilidade urbana e o medo”, publicado pela revista Tpm em abril deste ano, com apresentação da 99, a consultora de políticas públicas com ênfase em mobilidade e gênero Daniely Votto explicou que, por conta da insegurança, as mulheres chegam até a se arriscar mais.

“Como as cidades são pensadas para os homens, muitas vezes elas preferem andar no meio da rua, correndo o risco de serem atropeladas, do que caminhar em uma rua mal iluminada, com calçada estreita e cheia de arbustos altos, que podem servir de esconderijo para alguns tipos de crimes”, disse ela à revista.

Também na reportagem, a estudante universitária Beatriz Perrone contou sua história de apreensão. “Eu tinha por volta de 19 anos e estava voltando do cursinho pré-vestibular. Nisso, sentou um homem do meu lado, ele quis puxar assunto comigo e eu ignorei. Ele, então, começou a me xingar, disse que eu não tinha tido um homem que me pegasse de jeito”, começou ela. “Nisso, eu fui saindo e ele passou a mão em mim”.

Já a estudante universitária Claudiane de Souza explicou suas estratégias para fugir dos abusos. “Eu procuro andar em locais mais movimentados, porque se não… Já aconteceu episódios de me seguirem”, declarou no vídeo.
Daniely Votto lembra que as mulheres são sexualmente agredidas nas ruas. “Precisamos de paradas de ônibus, boa iluminação pública, estações de metrô seguras. Tenhamos guardas mulheres preparadas dentro do metrô para quando acontece alguns problemas”, afirmou em depoimento para o vídeo-reportagem.

De acordo com a pesquisa “Como as Periferias se Reconectam com a Cidade”, publicada em julho de 2020 pela 99, o uso de transporte por app aumentou 55% nas regiões periféricas de Porto Alegre (RS), Manaus (AM), Salvador (BA), São Paulo e Rio de Janeiro, mostrando-se alternativa mais segura de locomoção.

Claudiane disse, no depoimento em vídeo à Tpm, que sempre usou ônibus, metrô, mas que durante a pandemia preferiu os carros por aplicativo. O objetivo foi manter os familiares em segurança, evitando aglomerações e reduzindo o risco de contaminação da covid-19

Motorista

Assim como contribui para as passageiras, o transporte por app também beneficia as motoristas “No começo, eu sentia um pouco de medo, até mesmo vergonha”, conta em vídeo Jaqueline Ramos, motorista de app em São Paulo. “A partir do momento que eu comecei a dirigir, minha autoestima estava baixa, estava com depressão e isso melhorou minha autoestima”, disse.

Infelizmente, nem tudo são flores. O preconceito ainda é presente em determinadas situações. Motorista de aplicativo em Alvorada, no Rio Grande do Sul, Eva Terezinha contou que já aconteceu de estar no trânsito, mesmo com passageira, e um homem encostar do lado de dizer: “o que você quer aí? Vai pilotar um fogão”. Mas isso Segundo Daniely Votto, toda a narrativa da mobilidade urbana, não só no Brasil, mas na América Latina como um todo, é voltada e pensada por homens e feita para atender às necessidades deles.

Nesse sentido, uma das ações da empresa em atenção ao público feminino é a categoria 99Mulher. As motoristas podem escolher somente passageiras mulheres na hora das corridas. Com o toque de um botão, as passageiras também são avisadas desse serviço.

Investimento

Para melhorar cada vez mais o atendimento, a 99 lançou um pacote com novas medidas que começam a ser implantadas a partir deste mês. Com a ação, a empresa estima injetar mais de R$ 570 milhões ao PIB brasileiro até dezembro, além do valor já gerado pela atividade intermediada pela companhia.

Em 2020, este montante foi de R$ 15 bilhões, segundo um estudo da Fipe que considera o impacto econômico da renda obtida pelos motoristas parceiros, gasta em seus custos operacionais (como alimentação e combustível) e no consumo de suas famílias (bens e serviços em geral).

As iniciativas somam-se aos benefícios concedidos pela empresa por meio do programa de parceria SOMOS99 que, entre outras vantagens, garante 10% de desconto no combustível dos 3.2 mil postos da rede Shell e já foi responsável por R$ 3,1 milhões de economia aos motoristas parceiros.