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CINEMA – Nise – O coração da loucura

Por Carol Campos (carol.campos311@gmail.com).

Na primeira cena deste longa, do diretor Roberto Berliner, já somos apresentados à marcante característica da Dra. Nise da Silveira, personagem-título do filme, que se dá presente no resto da trama: a insistência. Ela se encontra na frente de um portão, onde bate até que seja recebida.

O portão é a entrada para o Centro Psiquiátrico do Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, onde Nise, interpretada majestosamente por Glória Pires, volta a trabalhar após alguns anos e começa a comandar a Seção de Terapêutica Ocupacional, setor sem verba e atenção dos outros médicos presentes no Centro. Cercada por métodos sem humanidade alguma, como a lobotomia e o eletrochoque, a médica incentiva seus pacientes (também chamados de “clientes”) a utilizar a arte como forma de expressar seus interiores e inconscientes.

O filme mostra como um tratamento humano e amoroso pode mudar a vida dos pacientes que antes eram tratados como animais e experimentos. Ao mesmo tempo que seus “clientes” vão se estabilizando, Nise vai enfrentando o machismo e a noção de falsa superioridade por parte de seus colegas de trabalho. A médica é retratada de forma forte, batalhadora e mostra que se importa com quem era visto por olhares desesperançosos. Ela protagoniza uma revolução ao reformar completamente o espaço caindo aos pedaços a que foi designada e enfrentar a psiquiatria da época ao dizer “não” para os tratamentos desumanizados.

Entre os internos, temos no elenco Fabrício Boliveira, Simone Mazzer, Claudio Jaborandy, Julio Adrião, Roney Villela, Bernardo Marinho e Flavio Bauraqui, todos entregam ótimas performances ao interpretarem internos, esquizofrênicos em sua maioria. Já entre os funcionários, além da maravilhosa Glória Pires, temos Roberta Rodrigues, Felipe Rocha e Augusto Madeira.

O longa mostra cenas capazes de cortar o coração da mais dura das pessoas. Os maus tratos sofridos pelos pacientes são revoltantes, mas Nise é uma espécie de luz no fim do túnel, pois a qualquer momento que você vê um doente levando um tapa, você torce para que ela esteja por perto para interferir. O filme é a prova que vai contra o senso comum de que “cinema brasileiro não presta”.

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Nise – O coração da loucura
Ano: 2016
Direção: Roberto Berliner
Gênero: Drama, Biografia
Nacionalidade: Brasil
Duração: 108 minutos

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