Promotoria mostra novo pagamento de propina de US$ 500 mil a Marin

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Em mais um dia do julgamento do esquema de corrupção na Fifa, a promotoria de Nova York mostrou nesta sexta (8) documentos que apontam um novo pagamento de US$ 500 mil ao ex-presidente da CBF, José Maria Marin, em troca de favores enquanto dirigia a entidade.
No total, o dirigente é acusado de ter recebido US$ 2 milhões em propina -na quinta (7), comprovantes de outros três depósitos de US$ 500 mil já haviam sido exibidos pelos promotores.
Os pagamentos foram realizados em 2013 e teriam sido uma contrapartida à venda de direitos comerciais da Copa América.
Segundo os documentos, os valores foram pagos pela empresa Expertise Travel, uma companhia de fachada pertencente ao empresário Wagner Abrahão, um dos principais parceiros comerciais da CBF. O depósito apresentado nesta sexta (8) foi realizado em junho de 2013. Os outros, entre julho e outubro do mesmo ano.
Marin recebeu a verba na conta da Firelli Internacional, uma offshore registrada no nome do cartola e de sua mulher, Neuza Marin.
Comprovantes das transferências, extratos bancários e títulos de propriedade das empresas estão entre as provas exibidas pela promotoria.
O caminho do dinheiro, segundo a acusação, começava na empresa FTP, offshore que pertencia à empresa argentina Torneos y Competencias. Essa companhia tinha os direitos de transmissão de quatro edições da Copa América. Os valores, então, passaram à Support Travel e, depois, à Expertise Travel, ambas de propriedade de Wagner Abrahão, para então chegarem à Firelli, de Marin.
Os documentos foram exibidos durante o depoimento de um investigador da Receita Federal americana, Steve Berryman -cujo testemunho deve continuar na segunda (11).

OUTROS PAÍSES
Berryman também detalhou o fluxo de pagamentos de vantagens indevidas aos outros dois ex-dirigentes em julgamento: Manuel Burga, da confederação do Peru, e Juan Ángel Napout, representante do Paraguai e também ex-presidente da Conmebol.
Os dois cartolas, junto com Marin, foram os únicos entre 42 réus do caso que não fizeram acordo com a promotoria. Eles se declaram inocentes.
No caso de Napout, a promotoria mostrou fotos e comprovantes de pagamentos da compra de uma cobertura de 450 m2 no Uruguai, além de transferências de valores a contas e offshores na China, Suíça, Hong Kong e Uruguai, além dos Estados Unidos.
A defesa de José Maria Marin nega que o ex-dirigente tenha recebido propina, e informou que só se pronunciará após o término do julgamento. Marin cumpre prisão domiciliar em Nova York.
A reportagem não conseguiu contato com o empresário Wagner Abrahão.

(Folhapress)
Foto: Divulgação