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Vacina e distância de matas podem evitar a febre amarela

Vacina e distância de matas podem evitar a febre amarela

No ano passado, o Brasil registrou recorde de casos de febre amarela, concentrados em Minas Gerais. Após uma trégua no inverno, os registros voltaram a surgir, principalmente no Sudeste. Na capital paulista, a aparição de macacos com a doença na zona norte acendeu o alerta e deu início à vacinação em parte da cidade.
Desde julho de 2017, os casos ocorreram no Distrito Federal (1), Minas Gerais (1), Rio (1) e no Estado de SP (8). As cidades paulistas com notificações mais recentes são Itatiba, Jundiaí, Mairiporã e Nazaré Paulista.

Alguém já contraiu o vírus na capital paulista?
Não, apenas macacos foram infectados na capital

Recentemente, o governo paulista reabriu os parques do Horto Florestal, da Cantareira e do Tietê. Quem pode frequentá-los?
Só quem já tomou vacina há pelo menos dez dias, tempo que leva para ela fazer efeito

O que está sendo feito para bloquear o avanço da doença?
Além da vacinação de rotina em áreas previamente determinadas, o governo decidiu imunizar com uma dose fracionada moradores de cidades que estão em “corredores ecológicos”, com áreas de mata por onde o vírus pode avançar. São 76 municípios na Bahia, Rio e Estado de SP -inclusive parte da capital. No Espírito Santo, 85% das pessoas já foram vacinadas

O que é a vacina fracionada?
Trata-se de uma dose com um quinto do volume da imunização tradicional. Enquanto a dose padrão tem 0,5 ml, a fracionada tem 0,1 ml. A segurança é a mesma da tradicional, mas a validade, a princípio, é de apenas oito anos

Por que o governo decidiu usar doses fracionadas?
Para conseguir, diante de um estoque limitado, fazer uma ação rápida de vacinação nos 76 municípios. O objetivo é bloquear o avanço do vírus.

Como a febre amarela é transmitida?
Pela picada de mosquitos infectados em áreas de mata. Desde 1942 o Brasil não registra caso de febre amarela urbana

Quem deve tomar a vacina?
Pessoas que moram ou vão viajar para áreas de vacinação e também quem pretende ir a algum país que tem a circulação da doença ou exige certificado de imunização. A lista completa dos municípios do país com recomendação de imunização pode ser consultada em saude.gov.br/febreamarela

Quais países exigem o certificado?
Ao todo são 135, que podem ser consultados no site da Anvisa. Na América do Sul, fazem parte da lista Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Paraguai e Suriname

Quem não deve tomar vacina?
Crianças com menos de seis meses não devem tomar sob nenhuma hipótese. Na idade de seis a nove meses, apenas se houver indicação médica. A imunização é contraindicada para pacientes imunodeprimidos por alguma doença ou tratamento, como quimioterapia, e pessoas com alergia grave a ovo. Grávidas, a princípio, devem evitar, a não ser que o risco de contrair o vírus seja alto. “Se for uma gestante que mora num sítio onde um macaco morreu por febre amarela, por exemplo, vale a pena vacinar. Não é o caso, neste momento, de uma mulher que vive numa área urbana da cidade de São Paulo”, diz Rosana Ritchtmann, consultora da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia). Na dúvida, deve-se consultar um médico.

E idosos, podem tomar a vacina?
Nesse caso, o serviço de saúde deve ser consultado. “Se for um idoso acamado que pouco sai do centro de São Paulo, não vale a pena. Já um bem de saúde, que frequenta chácara em um local afetado, pode ter indicação”, diz a consultora da SBI

Tenho indicação para vacina, mas perdi meu cartão de vacinação e não sei se tomei a dose. O que fazer?
Procure o serviço de saúde que costuma frequentar e tente resgatar seu histórico. Caso não seja possível, a recomendação é fazer a vacinação normalmente

Todo mundo pode tomar a dose fracionada?
Não. Por não terem sido feitos testes para públicos específicos, os seguintes grupos devem continuar a receber a dose integral: crianças de nove meses até dois anos de idade, e pessoas com HIV e outras condições clínicas, como, por exemplo, doenças hematológicas.
Viajantes internacionais também precisam da dose plena

A dose fracionada vale para quem vai a países que exigem certificado?
Não. Nesse caso, é preciso tomar a dose integral

Quantas doses é preciso tomar?
No caso da vacina padrão, apenas uma. No caso da dose fracionada, a imunização a princípio vale por ao menos oito anos, mas testes ainda sobre esta questão ainda são feitos

Até abril de 2017, o ministério recomendava tomar uma segunda dose da vacina dez anos após a primeira. Quem foi vacinado antes da mudança de recomendação precisa tomar a segunda dose?
Não. A vacina atual é exatamente a mesma de antes. A única mudança é que o ministério passou a aceitar o entendimento anterior da Organização Mundial da Saúde de que apenas uma dose é suficiente.

Tomei a vacina antes dessa mudança e meu certificado internacional mostra a data de validade de dez anos. Preciso trocar o certificado?
Não. Por determinação da OMS, o certificado passa a ser considerado válido para o resto da vida

Onde encontrar a vacina?
Em postos de saúde ou em clínicas particulares, por cerca de R$ 250

Quem não pode ser imunizado deve se proteger como?
Se possível, evitar áreas de mata em regiões com casos da doença. Outras recomendações são usar repelente e se proteger de picadas

Em quanto tempo a doença se manifesta?
Geralmente, de três a seis dias após a picada do mosquito. Em casos excepcionais, até 15 dias

Quais são os primeiros sintomas?
Febre súbita, calafrios, forte dor de cabeça, dores no corpo, fraqueza e vômitos. A maioria das pessoas melhora depois, mas cerca de 15% desenvolvem a forma grave da doença após um intervalo de até um dia sem sintomas. Nesses casos, pode haver icterícia, que deixa pele e olhos amarelados (daí o nome da doença), hemorragia e insuficiência de órgãos

Qual é a taxa de letalidade?
De 20% a 50% da pessoas que desenvolvem a forma grave da doença morrem, segundo o Ministério da Saúde

Como é o tratamento?
Não há tratamento específico, apenas para os sintomas. Analgésicos e antitérmicos podem ser usados para aliviar febre e dor. O ministério recomenda evitar aspirina e derivados, pois podem favorecer reações hemorrágicas. Neste ano, pela primeira vez uma paciente com hepatite fulminante causada pela doença recebeu transplante de fígado

(Folhapress)
Foto: Divulgação

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