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Morto com suspeita de febre fez peregrinação em hospitais de SP

Morto com suspeita de febre fez peregrinação em hospitais de SP

Um motorista de ônibus de 36 anos que morreu na segunda-feira (15) na capital de São Paulo com suspeita de febre amarela fez uma peregrinação por três hospitais durante um mês até ser diagnosticado.
Davi Evangelista Cavenaghi morreu no Hospital das Clínicas, no mesmo dia em que foi internado na unidade. A família diz que o diagnóstico foi febre amarela. “Uma infectologista do HC nos disse que ele morreu pela doença”, afirma a cabeleireira Ana Evangelista, 35 anos, irmã de Cavenaghi. A Secretaria Municipal da Saúde, da gestão João Doria (PSDB), e o HC não confirmam o caso.
O motorista, diz a família, apresentava sintomas da doença desde o início de dezembro, após voltar de uma viagem a Minas Gerais.
“Ele gostava de caçar e pescar e viajou para a área da mata das cidades de Machado, Varginha e Montes Claros, no dia 1º de dezembro. No dia 5, já em casa, estava sentindo dores nas juntas, urinando sangue e vomitando, e pediu para ir ao hospital”, disse a irmã. A família mora em Itaquaquecetuba (Grande São Paulo).
O primeiro hospital a que o motorista foi o Oito de Maio, da rede privada, no Itaim Paulista (zona leste). “Ele tinha hérnia de disco, e foi tratado com analgésicos. No dia 9, foi ao hospital Salvalus, na Mooca (zona leste). Ali fizeram hemogramas, testes de HIV, hepatite, exames renais e tomografia. No dia 12, ele teve alta e foi para casa, sem melhora”, diz Ana.
Depois disso, Cavenaghi foi e voltou diversas ao Oito de Maio, sempre medicado com analgésicos. No dia 10 de janeiro, o motorista piorou e foi ao Hospital Santa Marcelina de Itaquaquecetuba. “Foi diagnosticada falência nos rins, ele mas recebeu alta.”
A irmã do motorista afirma que, como ainda estava mal, Cavenaghi voltou ao Oito de Maio, e foi transferido para o Salvalus, onde ficou internado na UTI. Segundo Ana, um médico disse que a suspeita era de febre amarela. “Na segunda-feira, ele foi levado ao HC e morreu”, conta.

OUTRO LADO
O hospital Oito de Maio afirmou, por meio de nota, que não recebeu “quaisquer documentos que comprovem que Davi Evangelista Cavenaghi tenha sido acometido de febre amarela”. O hospital Salvalus, também por nota, afirmou que o paciente foi transferido do Oito de Maio no dia 11 de janeiro “com quadro de febre intensa”. Segundo o hospital, “foi levantada a suspeita pela equipe médica de febre amarela”. No dia 14, diz, o paciente foi transferido para o HC por conta da insuficiência hepática aguda. A Secretaria de Estado da Saúde, da gestão Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou que o paciente foi atendido pelo Santa Marcelina de Itaquaquecetuba e foi submetido a exames. “Como não houve qualquer alteração nos resultados e como a condição clínica era estável, recebeu alta”, disse a secretaria.

(Folhapress)
Foto: Reprodução/TV Globo

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