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Clássico na casa do Palmeiras decide título após 80 anos

Clássico na casa do Palmeiras decide título após 80 anos

Maio de 1937. A final do Paulista viveu momentos tumultuados. Reclamações de arbitragem, troca de acusações, intervenção da então Liga Paulista de Futebol (atual Federação Paulista) e uma final entre Palestra Itália (hoje Palmeiras) e Corinthians no Parque Antarctica.
Abril de 2018. Oitenta e um anos depois, os mesmos ingredientes estão na mesa para a decisão do Estadual entre as duas equipes, que acontece neste domingo (8), às 16 horas, no Allianz Parque.
O confronto válido pelo torneio de 1936, disputado no ano seguinte, foi a primeira e única vez que o Palmeiras recebeu o maior rival em seu estádio para uma final de Paulista. Isso até este ano.
Depois de vencer o primeiro jogo, no Itaquerão, por 1 a 0, o Palmeiras precisa só do empate para ser campeão. O Corinthians deve vencer por dois gols de diferença. Se ganhar pela vantagem mínima, a decisão será nos pênaltis.
“Você sempre pode esperar algo nesse jogo. Ninguém estará relaxado”, diz Dudu.
Ele foi um dos estopins da confusão entre atletas dos dois times na semana passada. Empurra-empurra que resultou nas expulsões de Felipe Melo e Clayson.
Como a história se repete, o primeiro dos três jogos decisivos em 1937 também resultou em polêmica e teve o mesmo placar. O Palestra Itália ganhou por 1 a 0, gol de Frederico, e os jogadores do Corinthians cercaram o árbitro Edgard da Silva Alves.
Eles reclamaram que havia impedimento antes do escanteio que deu origem ao gol; que na cobrança, a bola saiu, fez a curva e voltou para dentro de campo; e na confusão dentro da área, teria havido falta no goleiro José.
Os corintianos não reiniciaram o jogo, que acabou 1 a 0.
Após o empate em 0 a 0 na segunda decisão, os times se enfrentaram no Parque Antarctica em 9 de maio de 1937. O Palestra Itália venceu por 2 a 1 e foi campeão. Os gols foram de Luizinho e Moacir. Filó anotou para o Corinthians.
O terreno do antigo estádio é onde está hoje o Allianz Parque, casa do Palmeiras, que adotou o nome em 1942.
Os corintianos passaram as semanas decisivas em 1937 reclamando da arbitragem. Na última quinta (5), o presidente Andrés Sanchez enviou ofício à Federação Paulista de Futebol criticando a entidade e o árbitro da primeira final que, segundo ele, não teve pulso.
“Buscaremos o título lá [casa do rival], jogando futebol e sem precisar de confusões”, afirma o paraguaio Romero.
Filó, autor do gol há 80 anos, embora brasileiro, defendeu outra seleção e ganhou a Copa-1934 pela Itália.

VIOLÊNCIA
Há 80 anos havia preocupações fora de campo, como existe hoje. Em 2018, a questão é a violência. Antes da final de 1936, o empate no segundo jogo foi manchado pelo insistente rumor de que as diretorias haviam acertado que o resultado seria empate, assim aconteceria o terceiro jogo e seria possível arrecadar mais com a bilheteria.
O boato incomodou tanto que o presidente do Palestra, João Minervino, prometeu doar a renda de um eventual quarto jogo (que ocorreria caso o terceiro terminasse empatado) para a caridade.
“Isso é um sinal da decadência do nosso futebol”, disse edição da Folha da Manhã de 9 de maio daquele ano.
A principal diferença é a questão do público. Apenas palmeirenses estarão no estádio, assim como corintianos tiveram exclusividade no Itaquerão na semana passada. Medida contra a violência adotada em abril de 2016, a torcida única em clássicos encontra apoio no Ministério Público e Polícia Militar, mas oposição discreta dos clubes.
Na final em 1937, não apenas palmeirenses e corintianos puderam comparecer como não havia separação entre eles nas arquibancadas.

NÃO CONTA
Corinthians e o Palestra Itália decidiram no Parque Antarctica o Paulista extra de 1938. Mas ele foi criado pela Federação Paulista para manter os clubes em atividade por causa da Copa daquele ano. A vitória palmeirense não entra nas estatísticas oficiais. O campeão estadual foi o Corinthians. E de forma invicta.

PALMEIRAS
Jailson; Marcos Rocha, Antônio Carlos, Thiago Martins e Victor Luis; Bruno Henrique, Moisés e Lucas Lima; Dudu, Borja e Willian
T.: Roger Machado

CORINTHIANS
Cássio; Fagner, Henrique, Balbuena e Sidcley; Ralf, Maycon, Jadson e Rodriguinho; Mateus Vital e Romero
T.: Fábio Carille

Estádio: Allianz Parque, em São Paulo
Horário: 16h
Juiz: Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza

(Folhapress)
Foto: Ricardo Stuckert / CBF

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