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Com ingressos a preços reduzidos, projeto de cinema nacional foca diversidade em SP

Com ingressos a preços reduzidos, projeto de cinema nacional foca diversidade em SP

Depois de marcarem presença em festivais nacionais e internacionais, sete filmes autorais ganham espaço cativo nas salas de cinema de 24 cidades brasileiras a partir deste mês.
“Severina”, que estreia nesta quinta (12), é um deles. O longa de Felipe Hirsch, coprodução entre Brasil e Uruguai exibida no Festival de Locarno, dá o pontapé inicial na programação de 2018 da Sessão Vitrine Petrobras.
O projeto, que nasceu em 2011, realiza a distribuição de filmes nacionais ou de coproduções com o Brasil para cinemas ao redor do país, com ingressos a preço reduzido (R$ 12 a inteira).
Em 2018, 37 salas participam da iniciativa (em 2017 eram 32), projetando em horários fixos filmes que normalmente teriam dificuldade para encontrar espaço no circuito comercial.
Por enquanto, também estão confirmados os longas “Todos os Paulos do Mundo” (Rodrigo de Oliveira e Gustavo Ribeiro), “Baronesa” (Juliana Antunes), “Unicórnio” (Eduardo Nunes), “Camocim” (Quentin Delaroche), “Era uma Vez Brasília” (Adirley Queirós) e “Tinta Bruta” (Filipe Matzembacher e Marcio Reolon).
Juntos, colecionam passagens por festivais como Berlim, Marselha e Guadalajara, além de Brasília, Rio, São Paulo e Tiradentes.
Mas não é só a programação que está diferente. O período de projeção dos longas dobrou: em vez de duas semanas, cada filme agora fica em cartaz durante um mês, tempo que pode ser estendido pelo exibidor.
Outra mudança é uma nova parceria com a rede Playarte, que integra a programação a partir de maio com as salas Metrópole, em São Bernardo, e Marabá, no centro de São Paulo. Espaço Itaú Augusta, Cinearte, Cinesystem Morumbi Town e Reserva Cultural (com preços não promocionais) são as outras salas da capital que participam.
Como em edições passadas, o projeto foca a diversidade, tanto na produção quanto na temática. Aparecem, por exemplo, diretoras mulheres –caso de Juliana Antunes, de “Baronesa”– e narrativas LGBT, como “Tinta Bruta”, de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon.
“Nós temos essa preocupação de passar a diversidade da produção cinematográfica no Brasil”, diz Talita Arruda, curadora do projeto. “Muito do que a gente traz aborda temas atuais, então nós temos diretoras mulheres e protagonistas negros, por exemplo.”

Conheça os filmes que integram a programação:

Severina
Dirigida por Felipe Hirsch, a coprodução entre Brasil e Uruguai acompanha um aspirante a escritor que tem a rotina alterada pelas aparições de uma moça que rouba livros em sua livraria. Quando descobre que ela faz o mesmo em outros lugares, é consumido pelo ciúme e começa a viver uma espécie de delírio amoroso. O longa foi exibido no Festival de Locarno, na Suíça.

Todos os Paulos do Mundo
No documentário, os diretores Rodrigo de Oliveira e Gustavo Ribeiro exploram os personagens interpretados pelo ator Paulo José no teatro, na televisão e no cinema. O longa foi exibido nos festivais do Rio e de Havana e na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Baronesa
O documentário, que começou como trabalho de conclusão de curso de Juliana Antunes, mostra a realidade de uma favela de Belo Horizonte por meio de Andreia, moradora que quer sair da comunidade onde mora e que ajudou a construir. O longa foi exibido nos festivais de Havana e de Marselha e na Mostra de Cinema de Tiradentes.

Unicórnio
Com Patricia Pillar no elenco, o filme de Eduardo Nunes tem uma menina como protagonista. Em uma casa de campo, ela aguarda ao lado da mãe a volta do pai, até que um outro homem chega ao local. O longa foi exibido nos festivais de Berlim, de Friburgo e do Rio.

Camocim
Dirigido por Quentin Delaroche, o filme se passa na pacata cidade de Camocim de São Félix, em Pernambuco, dividida pela política durante as eleições municipais. O longa foi exibido nos festivais do Rio e de Brasília e na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Era Uma Vez Brasília
Adirley Queirós, diretor de “Branco Sai, Preto Fica” (2014), comanda a ficção científica, sobre um agente intergaláctico enviado à Terra em 1959 para assassinar o então presidente Juscelino Kubitschek. Mas sua nave se perde no tempo e ele acaba em Ceilândia, em 2016. O longa foi exibido nos festivais de Brasília e de Locarno e na Mostra de Cinema de Tiradentes.

Tinta Bruta
Depois de “Beira-Mar” (2015), os diretores Filipe Matzembacher e Marcio Reolon voltam a comandar uma narrativa LGBT. No filme, um garoto que responde a um processo criminal lida com a mudança de sua irmã para o outro lado do país por meio de performances pela webcam, em que aparece coberto de tinta.  O longa foi exibido nos festivais de Berlim e de Guadalajara.

(Folhapress)
Foto: Divulgação

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