Privatização da Cesp pelo governo de SP pode custar mais de R$ 6 bi

INVESTIMENTO – Segundo a reportagem apurou, propostas acima de R$ 6 bilhões estão sendo esperadas, o que supera em 30% o valor de mercado da companhia paulista

Estudada há uma década, a privatização da Cesp (Companhia de Energia de São Paulo) pode finalmente acontecer, conforme indicou o secretário da Fazenda do Estado, Renato Villela. Em reunião com o banco de investimentos JPMorgan, Villela afirmou que a empresa está à venda. Depois, confirmou à reportagem a intenção. Segundo a reportagem apurou, propostas acima de R$ 6 bilhões estão sendo esperadas, o que supera em 30% o valor de mercado da companhia.

Há vários anos o governo paulista tenta vender a empresa, mas esbarra na falta de interesse dos investidores. No momento, chineses discutem a compra, mas ainda não fizeram nenhuma proposta. Integrantes da cúpula da estatal, quando questionados sobre a possível venda, afirmaram que não sabiam que o governo estava colocando o plano em prática.

Há um racha na cúpula da empresa. Enquanto o presidente, Mauro Arce, é contrário à venda, o diretor financeiro e ex-presidente, Almir Fernandes Martins, é favorável. A Cesp tem uma grande hidrelétrica, a de Porto Primavera – instalada no rio Paraná, entre SP e MS –, em seus ativos de geração.

Com potência de 1.800 MW, equivalente a 1,5% do consumo do país, ela é a principal fonte de recursos. Porto Primavera também tem pendências judiciais que datam do início da construção da usina, na década de 1980.

O reservatório nunca foi concluído, e a hidrelétrica opera no limite do chamado “fio d’água”, no qual é impossível armazenar água. A Cesp foi prejudicada pela mudança de regras para o setor adotada no governo Dilma Rousseff, em 2012, quando a União tentou reduzir os preços da energia por meio do encerramento antecipado das concessões das usinas.

A empresa não entrou em acordo com o governo e, com uma receita insuficiente, não conseguiu renovar a concessão de outras duas hidrelétricas, que foram adquiridas pela chinesa Three Gorges. Segundo Villela, a Cesp superou o momento difícil após a mudança de regras do setor e o mercado de energia está mais estável, o que aumentaria a atratividade da empresa.