Marquinhos ajuda Brasil a conseguir a vitória

EDER FANTONI, ENVIADO ESPECIAL, E BRUNO VILLAS BÔAS
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O ala Marquinhos tem 32 anos, já jogou na NBA (pelo New Orleans Hornets, em 2006/07) e até na Itália. Mesmo rodado, ele nunca vivenciou um momento como o desta terça-feira (9).
É que o jogador do Flamengo garantiu a primeira vitória do Brasil na Olimpíada do Rio, contra a Espanha, por 66 a 65, com uma cesta a cinco segundos do fim da partida.
“Quando comecei a jogar basquete, me imaginava atuando numa quadra assim, lotada, torcida me apoiando, mas não em fazer uma cesta decisiva assim. É coisa de outro mundo”, disse.
Faltando cinco segundos para o fim do confronto e com a seleção brasileira em desvantagem de um ponto no placar, o armador Marcelinho Huertas arriscou um arremesso e não teve sucesso.
Mas Marquinhos, que tem 2,07 m, pulou mais alto do que todos os jogadores da defesa espanhola e conseguiu dar um tapinha na bola para ela cair na cesta e anotar os dois pontos que garantiram o triunfo suado para o Brasil.
A Espanha ainda teve um ataque, mas parou na defesa do time da casa.
“Estava jogando num grande campeonato, em casa, com o apoio da torcida, e no último minuto dar um tapinha desse… É, com certeza, a cesta mais importante da minha vida”, afirmou.
O ala jogou por 21 minutos, acertou cinco de nove arremessos (56%), pegou cinco rebotes e marcou dez pontos. Só não fez mais pontos do que Huertas (11).
A emoção era tão grande que ele até saiu de quadra com a bola em seus braços.
“Se ninguém da organização reclamar, vai estar num quadro da minha casa.”
Grande estrela do basquete espanhol, o pivô Pau Gasol, 36, duas vezes campeão da NBA com o Los Angeles Lakers e que atualmente joga pelo San Antonio Spurs, era a principal ameaça para a seleção brasileira.
Porém, os pivôs Nenê e Cristiano Felício, que jogou com Gasol por uma temporada no Chicago Bulls, conseguiram pará-lo, o que dificultou a principal jogada da Espanha: as bolas no garrafão.
Gasol saiu de quadra com 13 pontos (no primeiro jogo, contra a Croácia, ele fez 26) e apenas 36% de aproveitamento nos arremessos. Nos lances livres, acertou apenas cinco de 12.
“A gente sabia do potencial dele [Gasol] e decidimos atacá-lo mais no jogo de hoje [terça]. Isso causou um desgaste nele. Tanto no terceiro como no último quartos ele já não era o mesmo jogador”, afirmou Felício, que foi convocado para a Olimpíada para substituir o experiente Anderson Varejão, cortado por causa de uma hérnia de disco.
Felício jogou por 12 minutos e fez sete pontos.
REFERÊNCIA
Nenê, por sua vez, atuou por 21 minutos, fez seis pontos e pegou quatro rebotes.
“Eu respeito muito o Gasol. É uma referência mundial como pivô. Mas nós fizemos um trabalho muito eficiente no garrafão”, afirmou Nenê.
Gasol foi muito vaiado pela torcida na arena. Antes da Olimpíada, ele afirmou que não tinha certeza se viria para o Rio de Janeiro por causa do vírus da zika.
Essa foi a segunda vitória consecutiva do Brasil sobre a Espanha em uma Olimpíada. Em Londres-2012, o time do técnico argentino Rubén Magnano venceu por 88 a 82.
Já em Barcelona-1992, os espanhóis levaram a melhor ao triunfar justamente por um ponto (101 x 100).
A história desta terça, no Rio, foi bem parecida. Mas com um vencedor diferente.
Com o resultado, o Brasil se recupera da derrota para a Lituânia, no domingo (7), por 82 a 76. Nesta terça, a seleção do país báltico derrotou a Nigéria, por 89 a 80.

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