‘Google foi inspiração’, brinca diretor de cerimônia

LUIZA FRANCO
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Pesquisas na ferramenta de busca Google foram fundamentais para o processo criativo da cerimônia de abertura da Paraolimpíada, que aconteceu na noite desta quarta (7), no Maracanã.
Foi o que disse à Folha um de seus três diretores, o escritor Marcelo Rubens Paiva, que assina a cerimônia com o artista Vik Muniz e o designer Fred Gelli.
Paiva contou que dois dos principais momentos da festa foram “googlados”. O primeiro deles foi o mosaico de coração feito com imagens do rosto dos atletas. A ideia de criar uma obra veio de Flávio Machado, diretor da empresa responsável pela produção das cerimônias da Rio 2016. “O Flávio teve a ideia de fazer o Vik criar uma obra. O Vik queria um coração bem gráfico. Procuramos na internet e escolhemos a foto de um bem de açougueiro mesmo”, brinca o diretor.
Outra cena inspirada em pesquisas na internet é a da dança da para-atleta Amy Purdy com uma máquina, que Paiva diz achar o momento mais emocionante da festa. Segundo Paiva, circula na internet um vídeo de uma coreografia similar.
O diretor conta que a cena que simula uma praia carioca foi a mais complicada de montar. “Tem muita gente, muitos elementos”, diz.
O processo de criação da cerimônia começou três anos antes. “Nossa sorte foi a ideia da festa, o tema de ‘Todos Têm Um Coração’ veio logo na primeira semana.”
Para-atletas brasileiros tiveram influência no roteiro. Logo no início do processo, os diretores se reuniram com o nadador Daniel Dias e a velocista Terezinha Guilhermina. As conversas levaram à decisão de fazer o desfile das delegações logo no início da cerimônia. Paiva vê essa iniciativa como um importante diferencial em relação a outras cerimônias.
A escolha do nadador Clodoaldo Silva para acender a pira, diz Paiva, se deveu ao fato de ele ser o brasileiro recordista de medalhas de ouro em Paraolimpíadas, com treze medalhas ao todo, sendo seis de ouro.
“Os atletas são hoje os grandes líderes do movimento de deficientes físicos. Só pela existência deles, já são líderes”, diz Paiva.