Para Erundina, regulamentação do Uber feita por Haddad foi insuficiente

CAROLINA LINHARES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A candidata do PSOL à Prefeitura de São Paulo, Luiza Erundina, afirmou nesta sexta-feira (16) que a regulamentação do serviço Uber, feita pelo prefeito Fernando Haddad (PT) em maio, não foi suficiente.
“Ele simplesmente estabeleceu uma regra em que eles passaram a pagar um imposto, que antes nem isso eles pagavam. Mas tem que ter condição de trabalho”, disse.
“O motorista do Uber é um trabalhador que dirige o seu carro, prestando um serviço público, trabalhando às vezes 12 ou mais horas por dia sem nenhum direito.”
“Tem que atualizar também as regras de contratos com os taxistas”, completou.
Sobre suas propostas para a questão, Erundina afirmou que “é preciso dialogar com os dois grupos”. “Regulamentar, fiscalizar, exigir um serviço de qualidade, seguro e que o trabalhador que opera -seja uma modalidade ou outra- tenha garantido seus direitos trabalhistas.”
Erundina foi questionada pelo taxista Daildo Assis de Souza, 42, coordenador do ponto do Hospital das Clínicas. “Estou com cem carros parados aqui”, reclamou.
“A Marta [Suplicy (PMDB)] diz que vai tirar as taxas dos taxistas, mas não queremos isso porque vai sucatear”, afirmou Souza.
Erundina, então, ponderou que os taxistas também precisam se modernizar, com o uso de aplicativos.
“A gente já usa aplicativo. Agora, por que que tem que pegar balinha? Não é da cultura do brasileiro pegar bala”, disse Souza, se referindo à prática dos motoristas do Uber de oferecer bala e água aos passageiros.
A candidata, que é deputada federal e ex-prefeita, prometeu continuar o diálogo com taxistas e o Uber, independente do resultado da eleição.
Erundina atualmente está em 5º lugar, com 7% das intenções de voto, segundo o Datafolha. Ela atribuiu a queda nas pesquisas à desigualdade no tempo de propaganda na TV e voltou a criticar a legislação eleitoral.
TRANSPORTE
Sobre o transporte de ônibus na cidade, Erundina voltou a afirmar que vai refazer a licitação proposta por Haddad e que irá criar uma autoridade metropolitana da mobilidade urbana.
“Não dá pra ser o metrô do Estado e os ônibus da prefeitura. Tem que haver uma articulação para baratear os custos e oferecer um serviço de melhor qualidade”, disse.
Erundina defendeu que as empresas de ônibus sejam pagas por quilômetro rodado e não por passageiro transportado. A regra foi adotada durante sua gestão, entre 1989 e 1992.
“A [ex-prefeita] Marta tirou esse critério dos contratos”, disse.
A candidata do PSOL reafirmou sua proposta de implantar tarifa zero, começando aos domingos e em ônibus que circulam dentro de um mesmo bairro.
“É necessário que o custo da tarifa seja socializado entre usuários diretos e indiretos. Não é justo que só o usuário do ônibus é que pague diretamente esse custo”, disse.