Erundina diz que resultado nas urnas importa menos que ‘resistência ao retrocesso’

CAROLINA LINHARES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Em queda nas pesquisas, a candidata Luiza Erundina (PSOL) minimizou o resultado da eleição e afirmou que seu objetivo é resistir ao “retrocesso democrático”.
“Não é uma eleição, é a construção de um front de resistência ao retrocesso democrático”, disse em encontro com estudantes e professores da PUC-SP.
“Não importa o resultado das urnas no domingo (2)”, completou.
Evitando jogar a toalha, porém, a candidata, que registrou 5% na última pesquisa Datafolha, afirmou que “milagres acontecem”.
Emendou, contudo: “não vamos para a casa depois de domingo, vamos discutir política”.
Erundina afirmou ainda que não tinha planos de ser candidata. “Mas não resisto diante da pressão popular e topei a parada”, disse.
A candidata arrancou risos da plateia ao se identificar com as minorias e ressaltar sua idade.
“Eu sou mulher, nordestina, pobre. Só faltou ser negra. Mas agora eu tenho mais um: sou velha”, afirmou.
A candidata também assinou o compromisso da plataforma CIdade 50-50, da ONU Mulheres, para promoção de igualdade de gênero nas cidades.
CENÁRIO NACIONAL
Candidato a vice, o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) usou seu discurso para criticar medidas do governo Michel Temer, como a reforma do ensino médio.
Valente chamou o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, de “campeão da repressão” e disse que ele faz uso político de informações privilegiadas da Polícia Federal.
No domingo (25), Moraes afirmou a grupos pró-impeachment que haveria operação da Lava Jato nesta semana. O ex-ministro petista Antonio Palocci foi preso nesta segunda (26).
Falando para uma plateia de estudantes de esquerda, Valente afirmou que não abandonou a ideia de revolução. “Nós não temos medo de dizer que somos socialistas”, disse.