Plano de Demissão Voluntária do Metrô de SP tem adesão de 630

SALÁRIOS – Em entrevista exclusiva ao ESTAÇÃO, Secretário dos Transportes Metropolitano, Clodoaldo Pelissioni, admite altos salários e vê no PVD a oportunidade de enxugar folha

Gil Campos

Diretor de Redação

 

Durante dois meses em que esteve aberto, o Plano de Demissão Voluntária (PVD) do Metrô de São Paulo recebeu a adesão de 630 funcionários, cerca de 7% de todo o quadro que hoje é de 9 mil trabalhadores. O número dos que querem deixar a Companhia do Metropolitano de São Paulo foi revelado com exclusividade ao ESTAÇÃO pelo secretário dos Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni. A entrevista foi dividida em duas partes, sendo a segunda a ser publicada na próxima semana.

Agora, segundo ele, o desafio será descobrir de onde o governo do estado irá tirar dinheiro para pagar as rescisões. “Precisaremos, agora, de analisar as custas, saber como vamos pagar as rescisões, de planejamento e prazo para pagar aos funcionários que aderiram ao Plano de Demissão Voluntária”, disse.

Pelissioni vê no PVD a oportunidade de “enxugar” os salários mais altos do Metrô, com a contratação de funcionários mais jovens e com salários menores para reduzir os custos da companhia.

“A proposta nossa é que, com o PDV, a gente dar uma enxugada nos salários mais altos para que a gente possa contratar gente com salários menores e reduzir custos. De um lado propiciaremos uma aposentadoria boa para quem já prestou serviços ao metrô, por outra lado contratamos gente mais jovem”.

O secretário admite a existência de altos salários na companhia, mas sem revelar o número de funcionários beneficiados, explicou a situação: “O metrô é uma empresa não-dependente, não está sujeito ao teto do governo do estado. Tem uma lógica negociada lá atrás que a cada ano trabalhado, a partir do quinto ano, o metroviário ganha 1% no salário, ou seja, 30% em 30 anos. Além disso, todo ano nós repomos a inflação para não existir defasagem salarial, por isso que existem os salários altos no metrô”.

Com o PVD, a Secretaria dos Transportes Metropolitanos pretende ainda com o PVD economizar com as rescisões. “A única coisa que estamos oferecendo a mais são três anos de plano de saúde médio. E vamos economizar os 10% da rescisão porque quem está pedindo para ser mandado embora é o funcionário. A multa que seria de 50% fica em 40%. E vamos aproveitar para remodelar o metrô, pois precisamos de força-jovem de trabalho. As pessoas mais idosas estão saindo e vamos contratar mais jovens”.

 

 

Pelissioni diz que gratuidade aos 60 anos não é favorável

 

O secretário Clodoaldo Pelissioni não vê com bons olhos a gratuidade no transporte público às pessoas a partir dos 60 anos de idade. “Eu particularmente não sou favorável, pois [uma pessoas com]com 60 anos ainda é muito jovem; 65 anos seria mais razoável”. Questionado sobre o mercado de trabalho, que não absorve essas pessoas, Pelissioni disse que existem empregos que poderiam absorver pessoas com mais de 60 anos.

“Hoje o mercado de trabalho está absorvendo pouca gente. Mas eu vejo alguns lugares, como lojas e supermercados, que precisam de atendimento, e o idoso é o mais preparado para atender. Tem algumas profissões que o idoso tem mais vantagem diante do jovem”.

A questão da gratuidade, para ele, é prejudicial à saúde financeira do Metrô. Cada vez que você põe mais gratuidade, alguém paga por isso. “O estado hoje deve colocar mais de 500 milhões de gratuidade por ano só no Metrô, quando na verdade somos cada um de nós a partir dos impostos pagos ao estado. Outra maneira seria aumentar o valor da tarifa e quem pagaria? Os usuários mais jovens para os mais idosos”, explicou. Ele disse que não existe previsão de reajuste das tarifas.