Crianças fazem fila para ganhar brinquedos no centro da capital paulista

SÃO PAULO, SP, 12.10.2016: DIA-CRIANÇAS - Brincadeiras e distribuição de brinquedos para crianças carentes e meninos de rua no Largo Páteo do Colégio, na região central de São Paulo (SP). (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

Na tarde desta quarta-feira (12), dezenas de crianças tomavam as ruas no centro de São Paulo. Moradoras de rua ou de ocupações, passaram o Dia da Criança ali para conseguir doações de brinquedos – ou mesmo comida. “A gente vem no Natal, no Ano Novo, na Páscoa. Sou sozinha. O que eu ganho só dá para comer. Não posso dar brinquedos para eles”, explica Michele Quirino, 30, desempregada, mãe de quatro filhos pequenos.

Ela mora em uma favela em São Mateus, extremo da zona leste, e, nesses dias comemorativos, costuma levar as crianças para o centro. Durante a semana, vende balas no farol enquanto os filhos ficam na escola. O pai das crianças morreu há cinco meses de overdose. Nathaly Pereira, 27, conta história parecida: tem quatro filhos, está desempregada, vive numa ocupação.

“Quem dá emprego para ex-presidiária? Tem todo tipo de preconceito, me xingam, xingam meus filhos, dizem que mereço morrer”, diz ela, que cumpriu três anos de prisão. Ela costuma pedir dinheiro na avenida Paulista, nos Jardins e na Consolação. “Ando o mundo, moço. Peço é para quem tem”, diz.

Já no Pátio do Colégio, ela e outras mães formam fila para receber os brinquedos que serão dados pelo “Ser Amor” – um grupo de amigos que faz doações para moradores de rua de vez em quando.

Demorou uma eternidade até que dois carros encostaram com uma pilha de sacolas azuis e vermelhas. Outro carro parou num outro ponto, com mais brinquedos. Começa a distribuição e tudo vira um caos: crianças correm por todo o Pátio do Colégio, tentando pegar mais e mais presentes. Gritos, choros, brigas e brincadeiras – estão todos muito felizes.

A cabeleireira Karime Bispo, 22, não pegou nada: seu filho tem só quatro meses. Ela está mais interessada em doações de comida ou produtos de higiene para o bebê. Há um ano, teve de fechar seu salão de no Itaim Paulista (zona leste). “Veio essa crise, os clientes desapareceram”, reclama. Acumulando o aluguel, foi viver numa ocupação no centro. “Agora faço bicos e peço”. Diz que recebe R$ 37 do Bolsa Família.

Já passa das 17h, e uma mãe com um menino de uns três anos chega correndo. “Moço, sabe onde pego brinquedo pro meu filho?”, pergunta. Não havia mais nada, e o menino corre sem rumo pelo Pátio do Colégio. Mais tarde, o mesmo grupo começa a doar comida, fraldas e pasta de dentes.

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