Lucro líquido da Caixa cai 67,1%, mas banco reduz provisão contra calote

O lucro líquido da Caixa Econômica Federal -que exclui receitas ou perdas extraordinárias- recuou 67,1% no terceiro trimestre do ano, para R$ 998,118 milhões, impactado pelo ganho menor com impostos diferidos, que ajudou a impulsionar o resultado do mesmo período de 2015.
Esses impostos diferidos dizem respeito a valores do Imposto de Renda e contribuição social a recuperar no futuro por causa de diferenças temporárias dedutíveis e compensação futura de prejuízos fiscais não utilizados.
Quando se incluem os efeitos extraordinários, o lucro do banco tem queda menor, de 1,5%, para R$ 5,78 bilhões.
No terceiro trimestre, o banco reduziu em 16,6% a provisão contra calotes, para R$ 5,105 bilhões. Segundo a Caixa, o controle na qualidade da carteira de crédito também ajudou a elevar seu resultado operacional para R$ 1,6 bilhão, alta de 8,7% na comparação com igual intervalo de 2015.
O índice de inadimplência da Caixa, medido por operações com atraso acima de 90 dias, subiu de 3,20% no segundo trimestre para 3,48% nos três meses encerrados em setembro. No terceiro trimestre de 2015, o índice tinha sido de 3,26%.
A Caixa atribui o aumento da inadimplência no terceiro trimestre ao impacto de um “grupo econômico específico do setor de óleo e gás”, que analistas acreditam ser a Sete Brasil, empresa de sondas para o pré-sal que pediu recuperação judicial.
CRÉDITO
A carteira de crédito da Caixa cresceu 5% no terceiro trimestre, para R$ 699,6 bilhões. Em relação aos três meses anteriores, a alta foi mais modesta, de 1,2%.
O principal negócio do banco, o financiamento imobiliário, teve alta de 3,7% nas concessões ante o terceiro trimestre de 2015, para R$ 401,5 bilhões. Atualmente, a Caixa detém 66,8% do mercado de crédito para habitação.
A Caixa também elevou empréstimos em saneamento, infraestrutura e e crédito consignado, operações de risco menor para o banco.
Por outro lado, o banco restringiu as concessões a empresas, acompanhando a tendência de outros bancos devido ao aumento da inadimplência e dos pedidos de recuperação judicial no segmento. A queda foi de 4,2% na comparação anual, para R$ 90,1 bilhões.
As despesas com pessoal da Caixa cresceram 18,7% no terceiro trimestre, para R$ 5,542 bilhões, por causa do reajuste obtido pelos bancários após 31 dias de greve.
Já a receita com tarifas aumentou 8,2% na base anual, para R$ 5,642 bilhões, ajudada pelo ganho com contas correntes, convênios e cobrança, e administração de fundos de investimento.

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)