Com testemunhas da acusação, começa o julgamento de Elize Matsunaga

Começou no final da manhã desta segunda-feira (28) o julgamento de Elize Matsunaga, que matou o empresário Marcos Matsunaga, herdeiro do grupo Yoki, na noite de 19 maio de 2012. O júri se reúne no Fórum da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo.
Por volta das 11h20, começou o sorteio dos jurados -que são os juízes de fato, em um júri popular, já que o juiz escalado aplica apenas a pena. Houve uma pequena demora para o início do júri por conta do tipo de roupas que Elize usaria no plenário. Segundo membros da equipe de defesa, a Promotoria queria que a moça usasse as roupas do presídio e ficasse de algemas.
Isso, porém, não vai ocorrer porque há entendimento pelos tribunais de que isso é desfavorável ao réu. Por isso, Elize já está no plenário com um terninho preto e sem algemas. Para a defesa, um júri feminino pode ajudar, mas é importante a seleção de pessoas que possam entender argumentos técnicos.
COMO É O JÚRI
No júri popular, são convocados no mínimo 25 jurados, dos quais 7 formarão o conselho que dará a sentença (escolhidos sob sorteio).
Os jurados têm uma hora para ler informações sobre o processo e então são ouvidas as testemunhas de acusação (entre elas o irmão de Marcos), as de defesa e as comuns -são 22 no total, incluindo policiais e peritos. Após essas oitivas, a ré é interrogada.
Então têm início os debates, com as falas de acusação e defesa (ambas com uma hora e meia de duração) e possibilidade de réplica e tréplica (de uma hora cada).
Após os debates, o conselho se reúne com o juiz, promotor e advogados para a votação, que determinará o veredito a ser anunciado pelo juiz no plenário. A expectativa é que o julgamento dure ao menos três dias.
Elize busca uma pena branda no julgamento desta semana. Ré confessa, Elize Kitano Matsunaga, 34 -completa 35 nesta terça (29)- está presa desde 2012 em Tremembé (interior de SP). Ela é bacharel em direito, ex-enfermeira e ex-garota de programa.
O crime ganhou notoriedade na época não apenas por envolver o empresário, mas pela forma como sua mulher tentou ocultar o cadáver. Após efetuar um disparo na têmpora da vítima, ela dividiu o corpo em seis partes (diz ter usado uma faca de cozinha), colou-os em malas de viagem (dentro de sacos de lixo) e livrou-se deles numa mata em Caucaia do Alto (na Grande São Paulo).
Ela afirma que agiu no calor de uma das muitas discussões do casal e que foi agredida por ele com um tapa no rosto. Como houve confissão do crime, a tentativa da defesa será tentar afastar as três qualificadoras do homicídio (motivos para agravar a pena) pelas quais ela é acusada: meio cruel (esquartejamento), sem chances de defesa e motivo torpe (teria matado por vingança e pela herança).
Os advogados de Elize dizem haver no processo provas que afastam ao menos duas dessas qualificadoras, em especial sobre o meio cruel. Segundo a defesa, quando houve o esquartejamento a vítima já estava morta. A promotoria sustenta que ele ainda estava vivo e, por isso, há sinais de sangue no pulmão.
Se condenada por homicídio simples, Elize terá uma pena entre 6 e 20 de prisão. Como está presa há mais de quatro anos e não tem outros antecedentes criminais, ela poderia sair do júri com ordem de soltura por ter cumprido mais de um sexto da pena. A condenação por destruição e ocultação de cadáver, de 1 a 3 anos de prisão, não afetaria muito na contagem.

 

ROGÉRIO PAGNAN
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

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