Senado da Colômbia aprova novo acordo de paz com as Farc

O Senado da Colômbia aprovou na madrugada desta quarta-feira (30) o novo acordo de paz entre o governo e as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), em um primeiro passo para implementar o pacto que busca encerrar um conflito armado que se arrasta por mais de cinco décadas.
Aos gritos de “viva a paz”, o novo acordo foi aprovado por unanimidade no Senado -insatisfeita com o conteúdo do pacto, a oposição deixou o plenário momentos antes da votação. O texto segue nesta quarta para análise da Câmara, da qual se espera a aprovação do acordo.
Assinado na semana passada entre o presidente Juan Manuel Santos e o líder das Farc, Rodrigo “Timochenko” Londoño, o tratado inclui algumas modificações exigidas pela oposição após o acordo original ter sido rejeitado em plebiscito no início de outubro.
O pacto prevê que os guerrilheiros das Farc deponham as armas em até seis meses e formem um partido político. O governo não pretende levar o texto a plebiscito, temendo uma nova rejeição popular.
“Alcançar um consenso total é impossível, pois sempre haverá alguém em desacordo e não podemos ficar negociando indefinidamente”, disse à reportagem o presidente Santos. “Este novo acordo, definitivo, é melhor para a Colômbia.”
Liderada pelo ex-presidente Álvaro Uribe, a oposição reconhece que algumas de suas exigências foram aceitas pelo governo, como as limitações da atuação dos tribunais especiais e a exigência de que a guerrilha entregue um inventário de bens.
Entretanto, opositores consideram que ficaram de fora do novo pacto suas principais reivindicações, como a exigência de que os ex-guerrilheiros condenados devem cumprir algum tipo de pena de prisão, que só possam concorrer a cargos após cumprirem penas, e que o narcotráfico seja considerado crime de lesa humanidade.
“As mudanças substanciais, pelas quais o povo votou pelo ‘não’, não foram feitas”, afirmou Uribe em entrevista a Folha de S.Paulo.
Iniciado há 52 anos, o conflito na Colômbia envolve guerrilhas, grupos paramilitares e as Forças Armadas, e já deixou 220 mil mortos e milhões de deslocados internos.

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Foto: Folha de São Paulo