Após paralisação, ônibus voltam a circular em São Paulo

Após um começo de dia complicado nesta quarta-feira (15), com a greve de ônibus e metrô, os coletivos voltaram a circular em São Paulo por volta das 8h30.
Motoristas e cobradores de ônibus, metroviários, e outras categorias como professores estaduais e municipais anunciaram paralisações em protesto contra as reformas trabalhista e da Previdência Social propostas pelo governo federal, de Michel Temer (PMDB).
A Justiça, a pedido dos governos Geraldo Alckmin (PSDB) e João Doria (PSDB), havia determinado a manutenção de pelo menos parte do efetivo. Os sindicatos não obedeceram e os serviços só retornaram no meio da manhã.
Na zona leste da cidade, os ônibus voltaram a circular no terminal Itaquera, por volta das 8h30, após deixarem suas garagens às 8h.
O retorno da operação ajudou a lotar a estação da CPTM de Itaquera, onde surgiram longas filas antes das catracas. Muitos dos passageiros acreditavam que o Metrô também voltaria a funcionar após as 8h, o que não ocorreu.
Na região, as linhas mais aguardadas pelos passageiros eram as que tinham como destino o terminal Parque Dom Pedro, no centro. Essas linhas percorrem avenidas paralelas à linha vermelha do Metrô, que está parcialmente paralisada. Assim que os ônibus dessas linhas chegaram ao terminal Itaquera, logo lotaram.
No centro, no terminal Parque Dom Pedro, o maior da cidade, algumas linhas voltaram a circular apenas por volta das 9h30.
O local, que até então estava vazio, começa a retomar o fluxo de passageiros.
Na zona sul, por volta das 9h, o movimento era normal nos terminais Santo Amaro, Grajaú e João Dias, sem grandes filas.
No terminal João Dias, os primeiros ônibus articulados chegaram às 8h40. Uma hora antes, a população começou a formar filas no local.
Por volta das 6h, o chefe de depósito Igaiara Deusdorado, 34, esperava no local na tentativa de pegar um coletivo para o trabalho.
Morador de Paraisópolis, ele trabalha no Jabaquara. Como não encontrou coletivos, disse que tentaria chegar ao local utilizando os ônibus do sistema local, cujos motoristas não aderiram à greve.
Esses ônibus, menores, circularam lotados durante a manhã. Parte dos passageiros chegou cedo por meio deles aos terminais e corredores, onde tiveram de esperar por horas até a normalização do sistema de ônibus.
“Saí de casa às 4h30. Agora são 7h e nada”, disse o barman Geler Noel, 29, haitiano. Noel mora na Vila das Belezas, extremo sul, e tentava chegar à região da avenida Paulista, onde trabalha.
Além do transporte coletivo, a situação do trânsito deverá ficar complicada durante o dia -há um protesto marcado para as 16h na av. Paulista. A prefeitura anunciou a suspensão do rodízio (para finais de placa 5 e 6) e a liberação do estacionamento em vagas de Zona Azul, dentre outras medidas.
A partir das 6h25 desta quarta-feira (15), o Metrô paulista iniciou o plano de contingência com a operação parcial das linhas 1-azul, 2-verde e 3-vermelha, além do funcionamento da linha 5-lilás em toda a sua extensão.
Com o plano, a linha 3-vermelha circula entre as estações Marechal Deodoro e Bresser-Mooca. Nesse trecho, os usuários podem fazer integração com as linhas 1-azul na Sé, 4-amarela na República, e 7-Rubi (CPTM), 10-Turquesa (CPTM), 11-Coral (CPTM) e 12-Safira (CPTM) na estação Brás.
APLICATIVOS
Na onda do protesto, surfam os aplicativos transporte que atuam em diversas cidades há quase dois anos, e que pipocaram em 2016.
Três dos quatro principais anunciaram promoções. A Easy, a 99 e o Cabify oferecerão corridas pela metade do preço -e a 99 até dobrará o valor repassado aos motoristas que fizerem mais de cinco viagens. Já a Uber não anunciou desconto.
Apesar do crescimento dos carros por aplicativos e descontos oferecidos pelas empresas, esse transporte é insuficiente para evitar transtornos significativos com a paralisação de metrô e ônibus.
A frota de táxis na capital paulista é próxima de 38 mil veículos. A de carros de aplicativos é oficialmente mantida sob sigilo -mas um secretário de Doria disse em fevereiro que havia cerca de 50 mil.