Após megaoperação policial, Doria diz que a cracolândia ‘é passado’ em SP

Após a megaoperação que envolveu quase mil policiais civis e militares, GCM, helicóptero e bombas na manhã deste domingo (21), o prefeito João Doria (PSDB) anunciou o fim do programa Braços Abertos, da gestão de seu antecessor, Fernando Haddad (PT), e disse que a cracolândia “é passado”.

“A cracolândia aqui acabou, não vai voltar mais. Nem a prefeitura permitirá, nem o governo do Estado. Essa área será liberada de qualquer circunstância como essa. A partir de hoje [domingo], isso é passado”, disse o prefeito enquanto caminhava pelo antigo “fluxo”, onde funcionava a feira livre das drogas.

Depois da ação policial e da visita de Geraldo Alckmin e João Doria à região, porém, os dependentes químicos seguiam espalhados pelas ruas do entorno no início da tarde deste domingo. Por volta das 13h, a maior concentração era em um posto de gasolina na esquina da rua Helvétia com a avenida Rio Branco, com cerca de cem usuários.

O comércio e consumo de crack ocorria de maneira irrestrita no local. A menos de cem metros, a Tropa de Choque da PM bloqueava o acesso à rua Helvétia, onde equipes da prefeitura seguiam recolhendo os entulhos.

A reportagem presenciou a venda de crack em ao menos outros dois locais da região, na rua Aurora e mais à frente da avenida Rio Branco, em frente à praça Princesa Isabel – em ocasiões distintas, policiais em carros e motos da Tropa de Choque chegaram a passar lentamente observando a movimentação, sem no entanto fazer qualquer abordagem.

Doria decretou o fim do programa social de Haddad, como já havia anunciado que faria, mas manterá ações do projeto extinto, como auxílio ao dependente químico com emprego, moradia e redução de danos, sob o guarda-chuva de um novo programa, batizado Redenção.

“Não haverá mais pensão ou hotel, nenhuma acomodação desse tipo. Toda a área sofrerá uma amplo projeto de reurbanização”, disse Doria.

“Haverá a interdição imediata de todas as pensões e hotéis. Serão bloqueados hoje [domingo]. Na sequência, derrubados. Serão demolidos. O mais rápido possível. Serão demolidos, essa área será reestruturada urbanisticamente com prioridade para habitação popular”, completou o tucano.

Governador é mais comedido e disse que ação é “o 1º passo”

Em sua fala sobre a cracolândia, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) foi mais comedido do que o prefeito em falar sobre o fim da feira livre de drogas no local. Disse que a ação policial hoje é o “primeiro passo”.

“O trabalho policial é um trabalho que não termina. O problema da droga não é uma coisa simples. Você tem uma questão crônica que precisa ser enfrentada pela polícia, pela área social e pela saúde.” Alckmin enalteceu a parceira com a prefeitura e não deixou de atacar o programa anterior, de Haddad, naquela região.

“Acho que a intenção até foi boa, mas o fato de você ter hotel e pensão, e dar dinheiro, mesada para as pessoas, acabou piorando. Por que você concentrou. E o armamento que a gente apreendeu foi em hotéis e pensões”, disse Alckmin. O secretário estadual de Saúde, David Uip, que também acompanhou a operação neste domingo com equipes de saúde, disse que a situação na região estava crítica.