Irmão de Cabral assume ter recebido valores sem a prestação de serviço

O publicitário Maurício Cabral, irmão do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), afirmou em interrogatório à Justiça Federal que recebeu R$ 240 mil em 2011 sem a prestação de serviços. De acordo com ele, o repasse ocorreu por meio de Carlos Emanuel Miranda, que assumiu ser o “gerente da propina” do peemedebista.
Maurício afirmou que Miranda, de quem é amigo de infância, o procurou dizendo ter encontrado um cliente para a sua agência de publicidade. O irmão do peemedebista afirmou ter emitido a nota fiscal de R$ 240 mil, recebido o dinheiro, mas que não foi procurado para executar o trabalho.
“Eu cobrava. E o trabalho? E o trabalho? O trabalho não vinha e nunca mais apareceu”, afirmou Maurício.
Ele é acusado de participar da lavagem de dinheiro do esquema do irmão. De acordo com a denúncia, ele recebeu R$ 240 mil de origem ilegal da FW Engenharia por meio de uma outra empresa de fachada.
O publicitário afirmou que a emissão de notas fiscais antes da prestação de serviço é comum no mercado publicitário. Ele disse que confiava em Miranda para adotar o procedimento.
Miranda teve o acordo de delação premiada homologado no Supremo Tribunal Federal (STF), em que assumiu ser o “gerente de propina” de Cabral.
Maurício Cabral também foi citado em delação premiada do marqueteiro Renato Pereira, segundo quem o publicitário recebia cerca de R$ 30 mil mensais como parte do “movimento social” em apoio ao governo.
“Essa [indicação de Miranda] foi a única vez que recebi um valor sem uma causa”, disse Miranda.
O Ministério Público Federal afirma que a empreiteira pagou no total R$ 1,7 milhão de propina ao ex-governador. Os demais valores foram pagos por meio de empresas em nome de Susana Neves e Carlos Emanuel Miranda, ex-mulher e assessor do peemedebista, respectivamente.
As 16 denúncias contra Cabral já somam quase R$ 400 milhões de propina recebida durante seu período à frente do Estado (2007 a 2014). A Procuradoria o acusa de pedir 5% de propina sobre os grandes contratos do governo do Rio.
Cabral nega ter recebido propina, mas reconhece que fez uso pessoal de sobras de caixa dois de campanha eleitoral.

(Folhapress)
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