Boeing negocia compra da Embraer, diz jornal

A norte-americana Boeing está em negociação para adquirir a rival brasileira Embraer, relatou o jornal “The Wall Street Journal”, citando pessoas não identificadas familiarizadas com o assunto.
A Embraer, terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo, ganharia um ágio substancial além dos US$ 3,7 bilhões de valor de mercado, disse o jornal nesta quinta-feira (21).
Segundo o WSJ, as empresas estão aguardando a palavra do governo brasileiro, que tem poder de veto sobre uma possível venda -a “golden share” (ação especial) da Embraer pertence ao governo.
Os principais acionistas são a Brandes Investments Partners (15,03%), BNDESPar (5,37%) e Oppenheimer Funds (4,8%). Outros somam 73,86% e 0,94% é de ação em Tesouraria.
Especulações de que as duas empresas poderiam se associar de alguma forma começaram a circular em outubro, após suas principais concorrentes -a europeia Airbus e a canadense Bombardier- terem fechado uma parceria no programa de jatos CSeries.
A Boeing e a Embraer já trabalham em projetos, incluindo segurança de pistas de decolagem e combustíveis alternativos para jatos. A parceria se intensificou nos últimos anos para incluir o compromisso da Boeing com vendas conjuntas e a apoio à aeronave militar KC-390 da Embraer.
As ações da Embraer listadas na Bolsa norte-americana subiam 26%, para US$ 24,44. A Boeing, com sede em Chicago, caiu menos de 1%, para US$ 297,13.
Na Bolsa brasileira, as ações da Embraer subiam 21,38% às 15h40, cotadas a R$ 20.

NÚMEROS
A Embraer teve uma receita liquida de R$ 21,436 bilhões em 2016. No terceiro trimestre deste ano, registrou lucro líquido de R$ 351 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 111,4 milhões do mesmo período do ano passado.
À época do balanço, a empresa destacou a perspectiva desafiadora para 2018, pelo quanto a Embraer dependeria da sua nova linha de jatos de 70 a 130 passageiros, com a qual irá competir, com o modelo maior, com as aeronaves CSeries, da joint venture entre a Airbus e a Bombardier.
“A Embraer espera que 2018 seja um ano de transição, com a entrada em operação do primeiro modelo E2, o E190-E2, aliada a um mercado ainda estável nos segmentos de aviação executiva e de defesa e segurança”, disse a empresa.
Procurada pela reportagem, a Embraer disse que em breve soltará um comunicado sobre o assunto.

(Folhapress)
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