Dólar sobe com exterior mais negativo e cautela política

O dólar opera em alta na volta do feriado local de sexta-feira (09) respondendo ao cenário externo mais negativo na manhã desta segunda-feira (12) e à política mais conturbada no Brasil. Há expectativas sobre os desdobramentos da crise política.

Na sexta e no fim de semana, houve novos ataques do presidente Jair Bolsonaro à realização de eleições em 2022, caso não seja adotado o voto impresso, e ao ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em resposta, Judiciário, Congresso e partidos políticos reafirmaram o compromisso com a democracia e as eleições no ano que vem, além de defenderem a segurança das urnas eletrônicas.

O general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo, chamou de “ameaça absurda” a afirmação de Bolsonaro sobre não haver eleições em 2022, ao participar de uma live organizada pelo grupo Parlatório na noite de domingo. O militar defendeu na live uma “reação forte” da sociedade e das instituições contra a ameaça feita pelo chefe do Executivo. O general afirmou que o fanatismo no Brasil pode acabar em violência. Também considerou que há um desrespeito generalizado no País a ser enfrentado pela lei. O ex-ministro disse ainda que a corrupção é um ponto que deve ser combatido por aumentar o risco de ruptura institucional.

Para Santos Cruz, as Forças Armadas estão no centro da discussão política devido à decisão de Bolsonaro de nomear diversos militares para o governo. O general avaliou que o caráter político da CPI da Covid criou um desgaste para as Forças Armadas.

No exterior, o petróleo recua, enquanto o índice DXY do dólar, que mede as variações da moeda americana frente a outras seis divisas relevantes, volta a ganhar força na manhã desta segunda-feira, após acumular perdas nas duas sessões anteriores. Os investidores demonstram cautela em meio à propagação da variante delta do novo coronavírus e antes de mais uma temporada de balanços corporativos nos EUA.

Às 9h27 desta segunda, o dólar à vista subia 0,50%, a R$ 5,2653. O dólar para agosto ganhava 0,08%, a R$ 5,2755.