Com características, diferentes, livrarias têm a cara da Avenida Paulista

O produtor cultural Vitor Daneu, 37 anos, era um frequentador fiel dos cinemas do Reserva Cultural, mas nunca imaginou que aquele viraria seu local de trabalho. Tudo começou a mudar quando ele caminhava na Paulista e viu o espaço vago.

“Para abrir a Livraria no Reserva eu me coloquei no lugar de quem vem a esse lugar pela primeira vez depois de dois anos de recolhimento e apostei que as pessoas estariam curiosas de saber sobre política, crise ambiental e pandemia”, ele conta. Há uma boa variedade de obras com esses temas, além de títulos que dialogam com plantas, animais, novos mundos por vir, feminismo, etc. É possível encontrar livros de editoras grandes ali, mas são poucos. “Minha estratégia foi começar pelas independentes e privilegiá-las para fortalecê-las”, conta o livreiro, que já trabalhou em editora.

A loja de Vitor está entre outras duas livrarias – a do Centro Cultural Fiesp, que vende obras da Sesi-SP Editora e Senai, e a Martins Fontes, que é hoje a principal da região, com três lojas no mesmo endereço e um saldão permanente, onde funcionava o auditório.

Quando Alexandre Martins Fontes assumiu a livraria da família em 2005, ela era secundária na Paulista. Não tinha como competir com a Cultura, com a Fnac. Mas ele fez seu trabalho. Insistiu, investiu, conquistou público. É uma livraria de novidades, como quer ser a Drummond, e é uma livraria de fundo de catálogo.

“Fizemos muito para chegar aonde chegamos, mas a Avenida Paulista também é responsável por isso. Há muito potencial aqui. Reconheço que é essa localização, esse pedaço do Brasil, que permite que a Martins Fontes exista.”

Um pouco adiante, no Shopping Pátio Paulista, Samuel Siebel dá seguimento à expansão da sua Livraria da Vila. Está lá desde o ano passado e se diz feliz. “Sempre quisemos estar na Paulista e surgiu a possibilidade irmos para o shopping. É diferente de uma loja de rua, mas estamos muito satisfeitos com a experiência”, afirma.